
Sustentabilidade: o chavão do século XXI
Nas últimas décadas, com o fenómeno das alterações climáticas e a consequente crise a insurgir-se progressivamente, aliada atualmente também à crise pandémica que o mundo atravessa, tem estado cada vez mais latente o tema da sustentabilidade.
A poupança e rentabilização de recursos é não só um compromisso com a sociedade de hoje em dia mas essencialmente com as gerações vindouras que, inevitavelmente, terão a sua qualidade de vida determinada pelas escolhas que fazemos hoje.
É importante salientar que quando se fala em sustentabilidade, o debate não se reduz ao panorama ambiental. O caminho para a sustentabilidade envolve sim uma articulação entre ambiente, economia e sociedade. A gestão inteligente dos dinheiros públicos e dos recursos humanos deve andar de “mãos dadas” com as escolhas ambientalmente mais ecológicas.
É urgente fazer cumprir as metas do Pacto Ecológico Europeu, hoje mais do que nunca. No período pós-pandémico este plano será uma das bases essenciais das políticas de recuperação da crise. A reconstrução pressupõe um modelo social e económico sustentável.
Paralelamente, a União Europeia, através da primeira lei europeia do clima apresenta como objetivo primordial o alcance da neutralidade carbónica até 2050.
Para se cumprir este desígnio será necessária a redução drástica das emissões de CO2.
Veja-se que a redução da pegada ecológica e carbónica é um desafio global que cabe também a cada um de nós cidadãos e empresas. Neste âmbito, do meu ponto de vista, as autarquias terão um papel crucial a desempenhar na medida em que a transformação se fará do local para o global. É necessário implementar medidas específicas e adequadas à realidade de cada concelho, aproveitando e valorizando as suas potencialidades e motivando os habitantes a fazer escolhas inteligentes e sustentáveis, para que as metas da UE não se reduzam a uma mera utopia.
Águeda deve assumir este compromisso.
Com efeito, o nosso concelho possui um forte setor empresarial, que não deve alhear-se destas preocupações. Antes, devem premiar-se aquelas empresas que promovam a inovação e adotem uma economia circular, aumentando a longevidade dos produtos e rentabilizando a produtividade dos recursos.
Sendo as boas práticas valorizadas, o incentivo à maior preocupação com a sustentabilidade será crescente.
Por outro lado, o concelho de Águeda é dotado de diversos espaços verdes, designadamente a titulo de exemplo, as pateiras, o parque da Alta Vila e o Parque da Boiça, cuja manutenção se revela fulcral seja para a proteção da biodiversidade, preservando a fauna e flora, seja para o melhoramento da qualidade de vida e bem-estar dos aguedenses, do ponto de vista da saúde tanto física como mental.
Numa era tão acelerada e em que se almeja tudo para “ontem”, é importante a existência de espaços de abstração e adequados à prática de desporto e do lazer. Estas são ainda zonas com um enorme potencial para tornar o concelho mais atrativo, sendo um passo para a fixação de pessoas e um ponto a favor para o turismo.
Acresce que também os setores deficitários, que precisam de ver solucionadas as suas falhas, devem recorrer a opções mais ecológicas e sustentáveis. Refiro-me em particular à mobilidade. São escassas as opções alternativas ao transporte individual no nosso concelho. É, assim, indispensável dotar a cidade de meios de transporte coletivos, numa opção que será fortalecida com a aposta em veículos movidos a energias verdes, como por exemplo autocarros elétricos ou movidos a hidrogénico, já que Portugal detém um forte potencial para gerar esta energia.
Numa primeira fase, no plano da contratação pública (por exemplo, para a compra de autocarros) torna-se hoje imperativo às entidades públicas que adotem critérios de adjudicação que promovam a sustentabilidade, a todos os níveis.
O estudo criterioso das opções existentes e o balanço de custos e benefícios na decisão de contratar, são fatores que devem anteceder a abertura dos concursos públicos, e a elaboração dos cadernos de encargos, incentivando as candidaturas dos concorrentes que ambicionam contratar a terem preocupações de sustentabilidade.
No plano do incremento de sectores económicos estratégicos, será de enaltecer a aposta no setor industrial da bicicleta (incluindo a bicicleta elétrica) em que Águeda é já o maior produtor da Europa, colocando Portugal numa posição de liderança.
Águeda, para além de ser conhecida pelos guarda-chuvas coloridos no mês de julho, deverá também assumir-se como um “Concelho Verde e Sustentável”, para que a sustentabilidade não se transforme num mero chavão de propaganda, e seja um verdadeiro motor de mudança do paradigma das políticas públicas.
Inês Soares