
Desenvolvimento económico de Águeda
Um dos pilares essenciais de uma sociedade económica e socialmente sustentável baseia-se na conjugação entre a existência de uma elevada dinâmica empresarial e uma forte capacidade inovadora. Assim, será sempre possível a criação de emprego e riqueza, dois aspetos fundamentais para o desenvolvimento e qualidade de vida das gerações do futuro.
Analisando de forma mais detalhada o caso do concelho de Águeda, esta sempre foi uma mais-valia da qual, com certeza, todos os Aguedenses se orgulham. Apesar de algumas dificuldades sentidas após a crise de 2008 (e que, muito provavelmente, serão novamente sentidas no período pós-pandemia), é importante reforçar que Águeda sempre se caracterizou por apresentar um tecido empresarial forte e diversificado.
No entanto, e tendo em conta que a sociedade e as necessidades dos seres humanos estão em constante mudança, é estritamente necessário que haja um investimento recorrente em diversas áreas, de forma a elevar o patamar do concelho. Desta forma, é obrigatória a aposta em dois aspetos essenciais: educação e resolução dos problemas de fixação da população em idade ativa no concelho.
Em primeiro lugar, e citando Nelson Mandela, “Education is the most powerful weapon which you can use to change the world” (“A educação é a arma mais forte que se pode usar para mudar o mundo”). É hoje consensual que existe uma relação direta entre, por um lado, a capacidade de inovação das empresas de um concelho e, por outro, as competências ou qualificações dos trabalhadores das mesmas. Ou seja, quanto maior for o nível de literacia dos seus empregados, maior será a sua produtividade e capacidade de criar produtos que consigam competir não só no território nacional, mas também internacional.
De acordo com o meu ponto de vista, será neste seguimento que a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda (ESTGA) terá que assumir um papel crucial de duas formas distintas.
Por um lado, seria bastante útil um crescimento da escola no território de Águeda. Com esta alteração, existiria uma maior qualificação dos jovens do nosso concelho e atração daqueles que cá não residem.
Por outro lado, e dado o forte tecido empresarial do concelho, deveria ocorrer uma maior interligação entre a ESTGA e as empresas do mesmo. Isto é, tendo em conta que existe uma grande quantidade de indivíduos qualificados e especializados em vários nichos de mercado, Águeda e os jovens beneficiariam que a ESTGA tivesse a capacidade de atrair este conhecimento para as suas instituições. Esta aproximação poderia ser feita através de, por exemplo, recorrentes palestras, fóruns de troca de experiências e marcação de formações acessíveis a todos.
No entanto, é também importante realçar o bom trabalho que esta escola tem vindo a desenvolver ao longos dos últimos anos, nomeadamente com a existência de cursos que já incluem estágios curriculares em empresas do concelho.
Em segundo lugar, e de acordo com dados fornecidos pelo PORDATA, de 2010 para 2019, houve não só uma redução da percentagem da população em idade ativa em Águeda de 67,3% para 64,1%, como também um decréscimo da população residente de 47 875 para 46 043 habitantes. Analisando esta informação, é possível retirar uma simples conclusão: o número de habitantes no concelho de Águeda em idade ativa diminuiu.
Na minha opinião, estes dados podem ser facilmente explicados pelo problema relacionado com o mercado imobiliário que existe no concelho de Águeda – com a existência de casas a preços inacessíveis para o salário médio de um jovem – e que não permite a fixação de uma maior quantidade desta população no concelho.
Para solucionar este problema deveria ser feito um investimento em todas as freguesias do concelho – em saneamento, por exemplo – de forma a criar as condições necessárias para atrair a população a viver nestes locais. Para além disto, um reforço da mobilidade interna e externa em Águeda – quer seja através de transportes públicos ou da criação de ligações diretas a outras cidades – iria não só facilitar a fixação da população jovem no nosso concelho, como também permitir um aumento do investimento no mesmo.
Em jeito de conclusão, Águeda continua a caracterizar-se por ter uma grande capacidade produtiva e uma forte dinâmica empresarial, mas é necessário que se continue a investir em determinadas áreas que permitirão, no futuro, tornar Águeda num concelho ainda mais atraente para se viver e investir!
Afonso Oliveira